Que enorme vontade de pegar minha câmera e sair por aí. Sem rumo, ou melhor, com rumo. Mas sem roteiro. Com alguns trocados e pegando carona. Essa violência realmente enterra nossas oportunidades. Afinal, a única coisa que me privaria de fazer essa viagem que muitos chamam de loucura é a segurança, ops! A falta dela. Cada dia mais me convenço que sou bem nômade. Tudo bem, uma pessoa como ataques de pânico é difícil ser levada a sério quando o assunto é: viagem. Mas sou completamente apaixonada por outras culturas. Completamente louca para sentar na beira de uma calçada e ficar horas e horas ouvindo, gravando e óbvio, fotografando histórias daquela rua, bairro, cidade... Vestir-me como o povo da cidade que estarei... Juntar todo esse material e a cada volta pra casa expor fotos, vídeos, gravações em geral e principalmente, contar cada experiência, cada história para os amigos. Receber na minha casa em uma grande roda pertinho da lareira ou com ar-condicionado ligado, todos que respiram cultura, que respiram curiosidade e contar, debater, anotar as próximas viagens e tirar suas duvidas.
Com isso, minha vida estaria quase completa.
Um chute no saco de roupas caras, bons hotéis, restaurantes super finos e todos dinheiro desperdiçado. Não condeno a cultura de quem está disposto a gastar milhões em uma viagem. Mas sinto isso como informações desnecessárias. Entrar em um restaurante baratinho de comida típica, dormir em um hotelzinho de beira de estrada barato, apenas com um bom chuveiro e uma boa cama, sair pelas ruas sem muito conhecimento, sem carregar GPS, sem falar com interprete ou sequer um guia turístico e descobrir lugarzinhos, locais novos e diferentes.
A diferença me fascina.
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